O clima de tensão no STF não começou com publicações na internet. O desentendimento entre os magistrados vinha se acumulando nos bastidores dos gabinetes, alimentado pela troca de despachos, exigências de prazos e recados em processos formais.
A divergência ganhou força e se tornou pública durante uma sessão no plenário convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. O objetivo da reunião era definir regras para conduzir o julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Transmitido ao vivo pela TV Justiça, o encontro foi palco de fortes questionamentos do ministro Gilmar Mendes à forma como André Mendonça vinha conduzindo determinados casos. A discussão foi suspensa após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem um prazo de até 90 dias para devolver a matéria.
O desdobramento das divergências nas redes sociais
O confronto não ficou restrito ao ambiente do tribunal e rapidamente alcançou a internet. Em uma postagem no X (antigo Twitter), Gilmar Mendes voltou a fazer críticas severas ao comportamento de Mendonça, embora não tenha citado explicitamente o nome do colega.
Na publicação, o decano afirmou que o magistrado estaria utilizando as investigações de forma política e realizando vazamentos seletivos de dados. Gilmar chegou a usar os termos “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” para se referir à conduta do colega de Corte.
A resposta oficial do gabinete de André Mendonça
Diante das declarações públicas, a equipe de André Mendonça se posicionou por meio de um comunicado oficial para rebater as acusações e esclarecer a condução do processo.
O gabinete divulgou a seguinte nota de esclarecimento:
“veio de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos”
A manifestação reforçou que a decisão de retirar o sigilo dos documentos não foi tomada por Mendonça, rebatendo diretamente as críticas feitas sobre a transparência do caso.