A banalização dos nomes Cross e Sport no mercado de SUVs

O crescimento acelerado do segmento de SUVs nos últimos anos trouxe uma padronização que vai além do design. Muitas fabricantes passaram a adotar nomes semelhantes para seus modelos, criando uma certa confusão visual e nominal no mercado. Entre os termos mais utilizados, destacam-se Cross e Sport, que se tornaram quase obrigatórios em diversos catálogos de marcas globais.

A chegada de modelos como o Toyota Corolla Cross ao Brasil reforça essa tendência de utilizar sobrenomes conhecidos para facilitar a aceitação do público. Essa estratégia mostra como nomes que antes indicavam uma característica específica de aventura ou desempenho foram banalizados. No passado, o termo Cross era restrito a versões aventureiras de carros comuns, mas hoje define famílias inteiras de utilitários esportivos originais.

Embora o termo Sport tenha uma trajetória um pouco diferente, ele também sofreu adaptações para atender ao marketing das montadoras. Houve até casos em que os dois conceitos se fundiram, como no Volkswagen Atlas Cross Sport, um modelo que nunca chegou ao mercado brasileiro. Essa repetição de termos reflete a necessidade das marcas em passar uma imagem de versatilidade e dinamismo para seus consumidores.

A trajetória do sobrenome Cross entre os utilitários

A utilização do nome Cross não é um fenômeno tão recente quanto parece, tendo sido iniciada pela Honda na década de 1990 com o Crossroad. Este modelo era, na verdade, uma versão japonesa da primeira geração do Land Rover Discovery, vendida por um período limitado. Mais tarde, a fabricante japonesa reviveu o nome em modelos como o Crosstour, que tentou antecipar a moda dos SUVs cupê, mas sem grande sucesso comercial.

Atualmente, as marcas japonesas são as que mais apostam nessa nomenclatura, com destaque para a Toyota e seus modelos Corolla Cross e Yaris Cross. A Suzuki também seguiu o fluxo com o S-Cross e o Across, sendo este último uma versão modificada do RAV4 da Toyota. Até mesmo nomes icônicos de carros esportivos foram adaptados, como ocorreu com o Mitsubishi Eclipse Cross, gerando debates entre os entusiastas da marca.

Fora do Japão, a tendência também encontrou espaço em marcas europeias de prestígio e volume. A Volkswagen, que costuma batizar seus SUVs com a letra T, abriu uma exceção para o T-Cross, derivado da plataforma do Polo. Marcas como Citroën, DS e Opel também utilizam Cross ou variações como Aircross e Crossback para identificar seus veículos elevados, consolidando o termo como um padrão da indústria.

O significado estratégico do termo Sport nos modelos menores

Diferente do uso genérico de Cross, a palavra Sport geralmente é empregada para identificar uma versão reduzida de um SUV já consolidado e popular. Exemplos raros onde o termo faz parte do nome principal de forma fixa são o Ford EcoSport e o Kia Sportage. Na maioria dos casos, ele serve para diferenciar um veículo menor e mais urbano de seu “irmão maior”, que costuma ser mais luxuoso ou robusto.

A Land Rover foi pioneira nessa abordagem ao lançar o Range Rover Sport como uma alternativa mais compacta ao Range Rover Vogue, repetindo o sucesso posteriormente com o Discovery Sport. A Ford seguiu a mesma lógica recentemente com o Bronco Sport, que entrega uma estética semelhante ao Bronco tradicional, mas com uma proposta urbana e mecânica simplificada. Essa tática ajuda a expandir o alcance da marca para diferentes perfis de compradores e faixas de preço.

Em algumas situações, o uso do nome Sport serve para reaproveitar modelos existentes em novos mercados, como aconteceu com o Mitsubishi Outlander Sport, que é o conhecido ASX. Outro exemplo clássico é o Pajero Sport, que mantém a robustez do Pajero Full, mas compartilha a base mecânica com a picape L200. Essa estratégia de nomenclatura ajuda a manter a força de um nome famoso enquanto oferece um produto tecnicamente distinto ao consumidor.

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