Uma ação estratégica entre as polícias civis do Rio de Janeiro e do Amazonas resultou na desarticulação de um importante braço financeiro do Comando Vermelho. Durante a operação realizada na última terça-feira, os agentes conseguiram apreender a quantia de R$ 1,7 milhão em espécie. O flagrante ocorreu no município de Manacapuru, localizado na região metropolitana de Manaus.
A interceptação do montante foi possível graças ao intenso trabalho de inteligência e à troca de informações entre as corporações dos dois estados. O dinheiro foi localizado no exato momento em que um representante da facção criminosa realizava o saque em uma agência bancária. Segundo as autoridades, esses recursos seriam destinados ao financiamento da logística e das operações táticas do grupo.
O sucesso da diligência reforça a importância da cooperação interestadual no combate ao crime organizado. Ao interromper o fluxo financeiro da organização, a polícia impõe uma perda significativa à estrutura operacional da facção na região norte. A apreensão do valor em espécie é considerada uma das maiores vitórias recentes contra o caixa do tráfico local.
Estratégias de ocultação e lavagem de capitais
As investigações conduzidas pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) revelaram detalhes sobre o funcionamento do esquema. O Comando Vermelho utilizava empresas de fachada para dar aparência de legalidade aos valores obtidos com atividades ilícitas no Amazonas. Essa estrutura permitia que o capital circulasse pelo sistema financeiro sem levantar suspeitas imediatas.
Para dificultar o rastreamento pelos órgãos de fiscalização, a facção realizava transferências bancárias fracionadas para diversas contas em nome de laranjas. Essa técnica de dissimulação visava pulverizar o dinheiro e ocultar a sua origem criminosa antes que ele fosse consolidado para saques vultosos. O monitoramento dessas movimentações atípicas foi crucial para identificar os envolvidos e o destino final dos ativos.
A Polícia Civil destacou que o uso de laranjas e empresas fictícias é uma prática comum entre grandes organizações para sustentar o tráfico de drogas e armas. A identificação desses mecanismos permite que o Estado não apenas prenda os executores, mas também ataque o patrimônio acumulado pela criminalidade. O foco agora se volta para os beneficiários finais dessas transações bancárias.
Desdobramentos e combate à expansão criminosa
O trabalho investigativo continuará nos próximos meses com o objetivo de identificar e prender outros integrantes que participam da rede de lavagem de dinheiro. As polícias já possuem evidências de que o Comando Vermelho mantém ramificações consolidadas no estado do Amazonas, utilizando a região como ponto estratégico para seus negócios. Novas fases da operação podem ser deflagradas a qualquer momento.
Esta ação é um desdobramento de esforços anteriores, como a Operação Contenção, realizada em outubro pela polícia fluminense. Naquela ocasião, o objetivo principal era frear o avanço da organização e desarticular lideranças que buscavam expandir o domínio territorial. Durante os confrontos daquela fase, diversos chefes do tráfico de Manaus acabaram morrendo em confronto com as forças de segurança.
Entre as lideranças neutralizadas em diligências passadas estavam criminosos conhecidos pelos apelidos de Chico Rato e Gringo. A remoção dessas peças-chave e a recente apreensão do milhão de reais representam um duro golpe na hierarquia do grupo. As autoridades garantem que o monitoramento sobre a movimentação da facção entre o Rio de Janeiro e o Amazonas será intensificado.