Os enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, defenderam a volta dos diálogos entre Washington, Moscou e Kiev após reuniões na Ucrânia. A busca por um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia motivou a primeira visita da dupla à capital ucraniana desde o início das hostilidades.
O cenário na cidade permaneceu tenso, sob constantes ameaças de ataques aéreos russos. Apesar dos riscos, a comitiva americana demonstrou otimismo quanto a um desfecho diplomático para a crise militar.
As conversas em solo ucraniano ocorreram logo após reuniões no Kremlin com o presidente Vladimir Putin, como parte de uma ofensiva diplomática dos Estados Unidos.
Proposta de diálogo trilateral e posições oficiais
A delegação americana defende o retorno ao modelo de negociação direta que envolve as três nações principais.
“Uma coisa que Steve (Witkoff) e eu realmente acreditamos que seria produtiva é voltar ao formato trilateral, que conseguimos realizar há cerca de seis meses”, disse Kushner em entrevista coletiva após as reuniões em Kiev.
A liderança ucraniana reagiu de forma favorável à iniciativa de mediação.
“devemos fazer tudo o que for possível para garantir que ocorram reuniões trilaterais, ou reuniões trilaterais com nossos parceiros europeus. Veremos com o que a Rússia concordará”, disse Zelensky.
Importância do contato diplomático direto
Os representantes dos EUA reforçaram que o canal direto com o governo russo é indispensável para avançar em qualquer acordo.
“Se você não tem relacionamento com ambos os lados e mantém uma comunicação ruim, provavelmente tem muito poucas chances de chegar a uma resolução pacífica”, afirmou Witkoff.
Encontros multinacionais e a busca por um acordo justo
As discussões em Kiev envolveram várias etapas, incluindo a participação de autoridades do Reino Unido, França e Alemanha.
“Queremos evitar a perda de vidas, queremos que esta guerra termine de forma justa para todos nós e queremos que termine de maneira que a agressão russa contra a Ucrânia nunca mais se repita”, disse Zelensky durante uma coletiva realizada após a primeira rodada de negociações.
“Acredito que cada reunião como esta nos aproxima desse objetivo”, acrescentou Zelensky.
Como um gesto diplomático informal, camisetas com a estampa “regime de Kiev” foram preparadas pelo porta-voz Serhiy Nykyforov para os participantes do encontro.
Impactos dos ataques e defesa aérea na Ucrânia
Durante o percurso pela capital, a delegação visitou a Catedral de Santa Sofia, patrimônio da Unesco danificado por bombardeios recentes. A estrutura histórica sofreu danos após um ataque atingir o prédio do Serviço de Segurança da Ucrânia nas proximidades.
Antes do início das conversas oficiais, o governo ucraniano fez um agradecimento público ao presidente americano pela autorização da missão diplomática.
A escassez de mísseis interceptadores no sistema de defesa aérea permanece como a maior vulnerabilidade militar do país contra projéteis balísticos.
Garantias de fornecimento de mísseis Patriot
A Ucrânia aguarda o envio de novos recursos para reforçar a proteção de seu espaço aéreo no próximo ano.
“O lado americano aumentará no próximo ano os volumes de produção dos mísseis antibalísticos Patriot”, afirmou Zelensky. “Contamos com esses sistemas para defender nosso país, por isso aumentaremos os volumes no próximo ano. Tenho confiança nisso.”
Logística, trégua temporária e bastidores das conversas
Para chegar até Kiev, a comitiva desembarcou na Polônia e seguiu viagem de trem sob fortes esquemas de segurança.
Paralelamente, uma cessação temporária de ataques por 72 horas foi acertada para proteger exclusivamente as capitais Kiev e Moscou durante as reuniões.
Apesar da pausa nas capitais, outras 11 regiões ucranianas registraram ataques com drones e explosões, resultando em mortes de civis e danos à infraestrutura.
Em Moscou, a reunião anterior entre os enviados americanos e Putin durou três horas, seguida de um jantar oficial. Autoridades russas classificaram as propostas americanas como sérias e úteis para a construção de um futuro acordo.