Um forte terremoto na Colômbia mobiliza equipes de resgate no oeste do país, onde bombeiros e voluntários escavam montanhas de escombros em uma corrida contra o tempo. As buscas continuam na tentativa de encontrar sobreviventes sob estruturas de concreto desabadas, enquanto famílias aguardam por notícias.
O abalo sísmico atingiu a magnitude 7,4 na manhã de segunda-feira (10) e é considerado o mais forte na região cafeeira em décadas. O impacto deixou prédios de apartamentos, casas, escolas e unidades de saúde com estruturas comprometidas ou completamente destruídas. Até a manhã de terça-feira (11), as autoridades já contabilizavam quase 100 réplicas.
Nas localidades mais atingidas, os trabalhos vararam a noite. Com o apoio de guindastes, escavadeiras e trabalho manual, socorristas cortam vergalhões e removem entulho balde a balde na esperança de localizar pessoas com vida.
Medidas governamentais e apoio financeiro
O ministro da Fazenda, Miguel Gómez, informou ao Parlamento que o governo pretende decretação do estado de emergência econômica para acelerar a resposta à tragédia. A iniciativa busca desburocratizar a liberação de verbas e viabilizar ações imediatas para conter os danos.
Caso a medida seja oficializada, o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella terá autorização temporária para emitir decretos nas áreas econômica e tributária sem necessidade de aprovação prévia do Congresso.
Gómez ressaltou que a população não terá aumento de impostos neste momento. Segundo o ministro, a estratégia envolve remanejar o Orçamento Geral da Nação (PGN), cortando gastos burocráticos para custear o socorro emergencial.
Auxílio às regiões mais atingidas
Falando da capital Pereira, Abelardo De La Espriella anunciou a criação de um auxílio econômico com duração de três meses voltado aos moradores da região cafeeira de Risaralda.
“Partiu meu coração passar pelo centro da cidade e ver todos esses estabelecimentos destruídos”, disse ele, acrescentando que esperava que as medidas fossem “uma lufada de ar em meio a essa tragédia”.
Balanço de vítimas e impactos na infraestrutura
Levantamentos locais indicam ao menos 254 mortos em decorrência dos tremores, sendo 101 vítimas registradas em Pereira e 95 em Cali, terceira maior cidade colombiana.
O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aponta que 5.000 residências sofreram danos estruturais, além de dezenas de prédios que desabaram totalmente.
Em Cali, o desabamento de casas levou milhares de pessoas às ruas. Muitas famílias passaram a cozinhar ao ar livre e improvisar abrigos provisórios para passar a noite.
A estrutura de saúde da cidade também sofreu abalos graves. Partes dos andares superiores de um grande hospital, incluindo áreas de atendimento pediátrico, vieram abaixo. A diretora da instituição, Irne Torres Castro, informou à emissora Caracol que alguns pacientes ficaram presos e outros 600 precisaram receber atendimento no meio da rua.
A circulação urbana foi adaptada para acelerar a limpeza das vias. Sob calor intenso e sem o funcionamento dos semáforos, caminhões carregados de entulho foram autorizados a trafegar sem as restrições comuns do município. De acordo com o secretário de Saúde Pública, German Escobar, o necrotério municipal atingiu a capacidade máxima.
Relatos de quem vivenciou a tragédia
O influenciador digital José Gallego gravava um vídeo ao vivo no aeroporto de Pereira no momento exato do terremoto. Ele precisou se abrigar sob uma mesa enquanto o teto da instalação cedia.
“Havia pessoas feridas, sangrando, gritando e tentando entrar em contato com suas famílias, mas não havia sinal”, disse ele. “Atravessei a cidade a pé; levei duas horas e as cenas eram devastadoras.”
Em diversos pontos da região, a população civil formou correntes humanas para ajudar no resgate de escombros e tentar ouvir pedidos de socorro sob as pedras.
A moradora Fernanda Gaviria, de 33 anos, precisou dormir em um parque da cidade após ter a casa condenada pela defesa civil.
“Já retiraram várias pessoas, algumas vivas e outras mortas. Ainda não consigo acreditar — ontem, a esta mesma hora, eu os cumprimentei, e hoje eles se foram”, disse Fernanda Gaviria, 33, falando de um supermercado em frente a um prédio desabado.
Bloqueios e resposta internacional
A destruição atingiu rodovias e provocou o fechamento de seis aeroportos: Quibdó, Pereira, Manizales, Armênia, Cartago e Buenaventura.
A falta de energia elétrica, água encanada e sinal de telefonia afeta principalmente o departamento de Chocó, área próxima ao epicentro, o que atrasa a chegada de suprimentos de emergência.
No cenário internacional, os EUA anunciaram o envio de US$ 15,5 milhões para apoiar ações de abrigo, alimentação e avaliação de danos. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também disponibilizou US$ 50 milhões para obras de reconstrução.
A coordenadora residente da ONU na Colômbia, Maria José Torres, confirmou o envio de reforços para a região cafeeira. As autoridades locais ressaltam que o balanço final de danos e mortes só deve ser concluído nos próximos dias, conforme as comunicações forem reestabelecidas.