Um tragédia atingiu o oeste colombiano nesta segunda-feira (10). O forte terremoto na Colômbia deixou pelo menos 132 mortos e mais de 570 feridos, segundo balanço da Asocapitales. O tremor causou o desabamento de prédios, danificou estruturas de saúde e deixou centenas de pessoas presas sob escombros. As autoridades locais já o consideram o pior abalo sismico do século no país.
O desastre aconteceu logo nos primeiros dias de mandato do novo presidente, Abelardo De La Espriella. A tragédia representa o primeiro grande teste do seu governo, ocorrendo pouco tempo após tremores devastadores na vizinha Venezuela.
Diante do cenário crítico, o presidente fez um pronunciamento público por volta das 13h no horário local.
“O governo nacional mobilizou todos os seus recursos para proteger vidas, ajudar as comunidades afetadas e levar ajuda aonde for necessário”, disse ele.
“A primeira prioridade é resgatar as pessoas presas sob os escombros.”
Magnitude e regiões mais atingidas
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o abalo teve magnitude 7,4 e ocorreu a uma profundidade de 107 km. Já o Serviço Geológico colombiano confirmou que este é o tremor mais intenso registrado no território nacional durante o século 21.
As comunicações ficaram seriamente comprometidas na região de Chocó, perto do epicentro. Diversas áreas rurais permaneceram sem sinal telefônico por longas horas. A governadora local, Nubia Carolina Córdoba, confirmou 12 mortes e 84 feridos na região.
O departamento de Risaralda concentrou a maior parte das vítimas fatais. Em Pereira, capital da região cafeeira, os danos foram severos e as equipes de emergência continuam os trabalhos de busca por sobreviventes.
Danos estruturais e bloqueio em aeroportos
A força do sismo destruiu estruturas emblemáticas. Imagens verificadas pela imprensa mostraram o colapso de um edifício de quatro andares em Pereira. Em Manizales, uma das torres da catedral neogótica desabou e espalhou detritos pelas ruas.
Em várias cidades, policiais, bombeiros e voluntários trabalham em mutirão. Eles removem entulhos manualmente e utilizam caminhões para liberar as vias públicas.
Mauricio Andrade, bombeiro em Cali, relatou a atuação de sua equipe no resgate de duas mulheres e duas crianças em um prédio destruído.
“Elas estão vivas”, disse ele. “Estamos abrindo espaço para poder libertá-las e tirá-las de lá.”
Moradores locais também se organizaram para ajudar nos salvamentos. Juan Carlos Osorio descreveu o momento em que uma estrutura veio abaixo.
“soou como uma bomba”
“Todos nós, vizinhos, estamos trabalhando juntos, formando correntes humanas. Precisamos de equipamentos pesados. Há muitas pessoas presas.”
A autoridade de aviação civil suspendeu os voos nos aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura. As operações só serão retomadas após avaliações na infraestrutura dos terminais.
O Anel de Fogo e o risco de novas réplicas
A Colômbia está situada no Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas com maior atividade sísmica do planeta. Por isso, o país registra milhares de pequenos tremores mensalmente.
A sismóloga Suzan van der Lee, da Universidade Northwestern, explicou o motivo de o tremor ter causado estragos tão severos.
“Este ocorreu bem abaixo da crosta terrestre e, em teoria, não deveria causar tanto tremor. Com essa magnitude, ele realmente causou muitos tremores”, disse ela.
O Serviço Geológico da Colômbia já contabilizou pelo menos 21 réplicas após o abalo principal e reforçou que novos tremores secundários podem acontecer a qualquer momento.