O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou transparência total nas apurações e criticou o impacto das revelações recentes na crise no STF.

Em manifestação pública, o chefe do Executivo condenou o que classificou como “vazamentos seletivos” e apontou risco de interferência direta no processo eleitoral.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, afirmou o presidente, em publicação nas redes sociais.

“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, acrescentou.

“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu.

O origens dos vazamentos no Banco Master

O posicionamento do Governo ocorre após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal pelo ministro André Mendonça.

O documento contém mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, obtidas durante a Operação Compliance Zero.

Nas conversas registradas, o empresário solicitava orientações sobre apurações da PF e consultava o magistrado sobre viagens ao exterior antes de eventuais ordens de prisão.

Detalhes técnicos da perícia policial

A perícia da PF recuperou apenas os textos emitidos por Vorcaro, sem o registro das respostas do magistrado no dispositivo periciado.

O material coletado não confirma se as solicitações do banqueiro foram acolhidas pela autoridade judicial.

O relatório policial aponta proximidade entre as partes e menciona contratos do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, com previsão de repasses de até R$ 130 milhões.

Paralelo histórico com a Operação Spoofing

Lula mencionou a Operação Spoofing para fundamentar sua tese sobre o acesso público amplo a inquéritos sigilosos.

A investigação conduzida à época por Ricardo Lewandowski revelou diálogos de integrantes da Operação Lava Jato e serviu de parâmetro citado pelo presidente contra divulgações fracionadas de provas.

A declaração marca a reação mais enfática do Palácio do Planalto sobre o tema, cobrando apuração irrestrita para todos os citados.

Reação do Partido dos Trabalhadores

A bancada governista ampliou as cobranças por meio da diretoria de comunicação do Partido dos Trabalhadores.

O secretário Eden Valadares acusou o ministro André Mendonça de condução parcial nos processos do caso Master para favorecer adversários políticos.

O dirigente partidário questionou a manutenção do segredo de justiça sobre documentos que citam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Valadares cobrou justificativas para a ausência de buscas e apreensões contra pessoas ligadas ao parlamentar.

“Tem áudio, tem nota fiscal, tem reunião, tem repasse de milhões de dólares, tem vazamentos sobre todo mundo, mas as provas sobre Flávio Bolsonaro continuam em segredo. Por que esse sigilo seletivo?”, questionou.

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